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Onde investir o dinheiro dos nossos filhos?

2022.3.21 Vítor Ribeiro, CFA

Um dos principais objetivos de qualquer pessoa ou família quando pensa em construir uma poupança é garantir a segurança da geração seguinte. Estabelecemos objetivos para a educação, eventualmente até para um investimento imobiliário, um carro, ou simplesmente um valor para os mais novos iniciarem a vida adulta e profissional com maior estabilidade.

Em termos de investimento, a oferta nem sempre foi atrativa e é seguro referir que grande parte das poupanças direcionadas a menores estão investidas em depósitos a prazo ou seguros de investimento com capital garantido.

  • Fará sentido?
  • Estaremos de facto a contribuir para um plano financeiro ajustado aos objetivos estipulados?

Estas perguntas são ainda mais importantes numa altura em que as taxas de juro estão baixas, a inflação é elevada e as oportunidades tradicionais de investimento estão cada vez menos atrativas.

 

Por isso, a pergunta do título não procura propriamente uma resposta, mas sim várias. É uma espécie de alerta. Além disso, apesar de as contas menores já estarem mais adaptadas à nova realidade e com oportunidades de investimento semelhantes às contas normais, a verdade é que muitas vezes olhamos para essas aplicações como um mealheiro e não como um plano de investimento.

Não sendo necessário abrir uma conta em nome do menor para investir, a verdade é que essa forma de atuação permite que mais facilmente se reparta os valores que cada um vai juntando. Apesar da aparente racionalidade da decisão, temos de ter atenção aos custos associados, às limitações em termos de investimento e ter a noção de que não é estritamente necessário abrir uma conta em nome do menor para destinar um determinado valor para ele.

 

Normalmente tendemos a olhar para o dinheiro dos nossos filhos como nosso. Não deve ser assim.

Estipular um plano de investimento também permite essa separação obrigatória para conseguirmos um investimento mais racional e menos emotivo.

Por altura de celebrações e festas ou através de contribuições periódicas ou ocasionais que vamos fazendo, são uma ótima oportunidade de reforçar o plano de investimento definido e até de fazer o rebalanceamento de acordo com o momento do mercado. Atendendo às características do investimento, que é normalmente de longo prazo e com liquidez pontual disponível, podemos desde muito cedo traçar um plano que não seja dificultado pelas variações diárias do mercado, nem pela situação económica. O plano, deve ser, sim, ajustado aos objetivos definidos, ao tempo expectável para a concretização dos mesmos e à nossa capacidade de poupança e reforço.

Há muitas vezes a ideia de que o dinheiro dos filhos tem de estar seguro porque é para eles. Mas atenção, segurança não significa deixar o dinheiro parado. Significar investir da forma mais racional possível e fazer com que esse investimento seja ajustado ou pelo menos compensador do efeito inflação. Como referimos neste artigo, dinheiro parado é dinheiro perdido

O problema é que a nossa perspetiva emotiva e especulativa do investimento dificulta a visão de longo prazo. O tempo que perdemos a pensar no que vai acontecer à carteira de investimento hoje ou amanhã, é tempo perdido e sem qualquer retorno. O nosso foco deve estar no prazo delineado para o investimento e para o real objetivo da poupança e não nos solavancos diários sobre os quais, na maioria dos casos, não temos qualquer controlo.

A geração Z, que é uma geração totalmente nativa digitalmente, terá uma abordagem muito diferente ao dinheiro e o próprio dinheiro será certamente um conceito evolutivo. No entanto, a forma de pensar, a necessidade de garantir a segurança no futuro, essa não deixará de existir. Essa geração vai continuar a querer comprar o meio de transporte do futuro, o gadget mais evoluído, uma forma de habitação permanente, qualidade de vida para viajar e para lazer e um futuro mais independente e sem constrangimentos monetários para eles e para as futuras gerações. Por isso, cabe-nos manter o plano de poupança e olhar para o dinheiro dos nossos filhos como uma forma de garantir a sua vivência do futuro e de agarrar oportunidades. Sem amarras.

O mercado financeiro é um espelho da evolução da sociedade no último século. Também em termos de investimento, as oportunidades são hoje muito diferentes das soluções existentes há 40 ou 50 anos. Hoje, mesmo num ambiente financeiramente repressivo devido à elevada dívida existente, inflação alta e fracas perspetivas de crescimento económico, surgiram novas soluções que vão certamente fazer o seu caminho nas carteiras de investimento do futuro:

  • Plataformas de crowdfunding e financiamento colaborativo (peer-to-peer);
  • Criptomoedas e sistemas descentralizados;
  • Investimento em ativos reais, intangíveis ou digitais tokenizados (imobiliário, matérias-primas, obras de arte, direitos de autor, artigos de coleção, royalties, participações em empresas, ações, marcas, entre outros).

Mesmo os ativos mais tradicionais, estão hoje mais flexíveis e mais baratos permitindo uma alocação diversificada e otimizada utilizando PPR ou FPR, e as tradicionais obrigações e ações, através do investimento direto ou através de fundos de investimento ou ETF.

As preocupações ambientais, sociais e éticas, procurando um investimento sustentável e responsável, é hoje uma certeza, possibilitando o aparecimento de instrumentos e estruturas otimizadas e orientadas para os valores que consideramos essenciais, quer para nós, quer para as próximas gerações.

É possível construir uma carteira à medida e alinhada com os valores e preferências do futuro, que nos permita estar de olho no objetivo final e não no retorno diário. Para as próximas gerações a pensarem no dinheiro dos filhos, como a geração Y (millennials) e Z (nativos digitais), para o sucesso do plano definido continuará a ser muito mais importante a capacidade de poupança e a paciência do que as variações diárias da carteira de investimento. Mesmo que o dinheiro não seja nosso. Mesmo que seja o dinheiro dos filhos dessa geração. 

Por último, deixo 3 notas que considero essenciais e que destacam o maior segredo de investimento, que é o fator tempo e que também se aplica ao dinheiro dos nossos filhos:

  • Começar cedo compensa. Não podemos ter medo das variações negativas;
  • O importante não é tentar prever os movimentos futuros dos preços de mercado, mas sim o tempo que passamos no mercado, ou seja, o horizonte temporal. A paciência, o fator tempo, é o maior segredo para o sucesso no investimento;
  • Quanto mais tempo investirmos e quanto maior for a nossa capacidade de poupança, maior será a probabilidade de termos bons resultados. O fator capitalização trabalha a nosso favor.
Vítor Ribeiro, CFA
Vítor Ribeiro, CFA

Vítor é um CFA® Charterholder, empreendedor, melómano e com um sonho de construir um verdadeiro ecossistema de investimento e planeamento financeiro ao serviço das famílias e organizações.

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