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O que saber para investir em fundos de investimento

2021.12.25 Vítor Ribeiro, CFA

Um fundo de investimento é uma forma de investimento gerido por uma sociedade gestora profissional, que tem como objetivo o investimento coletivo de dinheiro obtido junto de investidores individuais. 

Neste artigo vamos falar essencialmente de fundos de investimento mobiliário, ou seja, de fundos que efetuam o seu investimento em ativos financeiros cotados ou não cotados (ações, obrigações, instrumentos de mercado monetário, matérias-primas, entre outros).

Para além dos fundos de investimento mobiliário, temos também os fundos de capital de risco, os fundos de pensões e os fundos de investimento imobiliário.

Os fundos de investimento terão tido a sua origem na segunda metade do séc. XVIII, nos Países Baixos. No entanto, o primeiro fundo de investimento da era moderna, foi lançado nos EUA há praticamente 100 anos, em 1924.

Visto como uma forma inovadora e democrática de investimento, os fundos de investimento permitem que pequenos investidores acedam a praticamente qualquer mercado ou região ou ativo de uma forma diversificada e profissional por um custo baixo.

 

Principais características:

  • Um fundo de investimento é considerado um património autónomo;
  • Nos EUA o termo mais usado para fundos de investimento é mutual funds enquanto na Europa é utilizada a estrutura SICAV ou empresa de investimento aberta no Reino Unido;
  • Qualquer investidor pode ter acesso a portefólios diversificados e geridos profissionalmente por um custo baixo;
  • Há diversos tipos de fundos de investimento mobiliário que se podem ajustar ao perfil do investidor e aos seus objetivos e preferências;
  • A estrutura de custos de um fundo de investimento pode envolver comissões de gestão, custos de transação, custos operacionais do fundo (funciona como uma empresa), comissões de performance e outras comissões imputadas ao fundo. Na maioria dos fundos de investimento não existe comissão de subscrição nem de resgate;
  • Um fundo de investimento está dividido em várias classes, nomeadamente, e simplificando, as classes de retalho, investidor e institucional. Estas classes têm diferentes níveis de custos. Para o pequeno investidor de retalho, o normal é estar disponível a classe de retalho, cujos fees de gestão são mais elevados, pois incluem as comissões de distribuição;
  • Para investir num fundo de investimento os investidores subscrevem unidades de participação desse fundo, tornando-se participantes do desempenho do fundo na proporção da sua participação;
  • Os fundos de investimento apresentam, normalmente, uma cotação diária, no fecho de mercado e quando subscrevemos ou resgatamos unidades de participação de um fundo de investimento desconhecemos a cotação, pois esta é, normalmente, a do dia seguinte (D+1) ou a do próprio dia (D) e depende da hora de envio da ordem de subscrição ou resgate (se antes ou depois da hora de fecho diária – cut-off – do fundo)

Como se pode ver no gráfico a seguir, os ativos sob gestão dos fundos de investimento regulados em 2020 já ultrapassavam os 63 biliões de dólares.

 

Tipos de fundos de investimento mobiliário

Existem diversas formas de classificar os fundos de investimento.

Os fundos de investimento disponíveis para os investidores de retalho são os fundos abertos, ou seja, fundos cujo capital é variável conforme as subscrições e resgates efetuados. Contudo, também existem os fundos de investimento fechados, ou seja, de capital fixo com as unidades de participação a serem definidas no momento inicial ou mediante determinadas condições pré-estabelecidas.

Uma das formas de classificar os fundos de investimento é de acordo com critérios geográficos.

Enquanto agente vinculado, a Future Proof disponibiliza aos investidores, através da plataforma do Banco Invest, uma ferramenta de pesquisa de fundos de investimento muito completa. Utilizando a tecnologia e base de dados da Morningstar, uma das principais empresas mundiais de análise de fundos de investimento, é possível a pesquisa de através de vários critérios.

 

Classe de ativo

  • Ações – nomeadamente tendo em consideração 
    • O estilo – crescimento (growth), valor (value) e blend (fundo de ações que combina os estilos value e growth
    • E a capitalização bolsista – pequena, média e grande capitalização bolsista.

Na imagem seguinte, podemos ver a forma como a Morningstar apresenta um fundo de investimento acionista quanto ao estilo e capitalização bolsista, neste caso quanto ao fundo Fidelity Funds - World Fund E-Acc-EUR.

  • Obrigações – a qualidade creditícia é um dos principais critérios diferenciadores. Através da divisão segundo o rating é frequente encontrarmos fundos de investimento de obrigações investimento grade (notação de BBB ou superior, de acordo com a agência de rating da Standard & Poor's) ou high yield (notação inferior a BBB, de acordo com a agência de rating da Standard & Poor's).
  • Tesouraria – ou fundos de investimento monetários. São fundos de baixo risco, cujo investimento incide em ativos de dívida de curto prazo e de elevada liquidez como depósitos a prazo, papel comercial, bilhetes do tesouro e obrigações de empresas ou do tesouro com maturidade curta.
  • Mistos – são fundos de investimento cuja estratégia envolve o investimento em duas ou mais classes de ativos, como ações e obrigações;
  • Outros – estratégias alternativas, commodities, imobiliário direto ou indireto.

É ainda possível existirem fundos flexíveis, cuja gestão tem maior liberdade em termos de política de investimento, e fundos de fundos, quando o fundo investe em unidades de participação de outros fundos.

Uma subcategoria dos fundos de investimento são os fundos-índice. Este tipo de fundos assenta numa estratégia passiva ao mercado. Requerem menos investigação e análise, pelo que são mais baratos do que os tradicionais fundos de investimento.

 

Alocação geográfica

Nesta categoria as opções disponíveis são inúmeras. Existem opções para praticamente todos os países desenvolvidos e grande parte dos países emergentes.

Também existe a alocação por regiões ou sub-regiões, como a EU, Ásia Pacífico, ou BRIC (sigla que surgiu no início do séc. XXI para juntar numa tendência de investimento as economias do Brasil, Rússia, India e China).

Dentro do bloco UE podemos ter, por exemplo, fundos de investimento ibéricos. Na Europa podemos ter fundos de investimento sem ou com Reino Unido, só de mercados desenvolvidos ou ´de mercados emergentes, do ocidente ou do Leste.

 

Alocação sectorial

A alocação sectorial permite a um investidor que pretende ganhar exposição a ações, definir o tipo de setor onde quer estar investido. Os fundos são alocados a esta categoria de acordo com o setor com maior peso. Os setores mais comuns são: consumo, energia, financeiras, imobiliário, industrial, recursos naturais, saúde/biotecnologia, telecomunicações/media/tecnologia e utilities.

 

Moeda

O fundo de investimento pode ter investimentos em diversas moedas e o próprio fundo pode estar disponível em diversas moedas com ou sem proteção cambial.

Um fundo de investimento cuja moeda de origem é o dólar americano, pode incorporar custos adicionais para ser cotado em EUR com proteção cambial, ou seja, para que a rentabilidade do fundo não seja impactada pelas variações cambiais entre o EUR e o USD.

 

Dividendos

Neste caso podemos ter fundos de investimento de distribuição periódica de rendimentos ou de acumulação.

Por fim, já referido neste artigo sobre produtos financeiros onde investir dinheiro, temos os fundos de investimento harmonizados e não harmonizados.

 

Vantagens e desvantagens dos fundos de investimento

Vantagens:

  • Diversificação, através da combinação de vários investimentos e ativos numa carteira, promovendo a redução do risco;
  • Liquidez, o fundo de investimento apresenta grande liberdade de movimentação, quer na subscrição quer no resgate;
  • Acesso facilitado e economias de escala, o investidor tem acesso a um enorme conjunto de mercados que, de outra forma, não seria possível aceder devido aos elevados montantes envolvidos. Permite ainda um investimento simples e seguro a preços reduzidos;
  • Gestão profissional. a carteira é gerida por uma entidade profissional retirando do investidor a necessidade de análise e seleção de ativos;
  • Grande variedade e liberdade de escolha, pois existem inúmeras soluções e combinações possíveis para investir;
  • Transparência, através de um quadro regulatório que introduz segurança e confiança aos investidores.

Desvantagens:

  • As comissões podem ser demasiado elevadas e incorporar conflitos de interesse
  • Não há qualquer garantia de capital nem acesso ao fundo de garantia de depósitos. O capital do fundo pode variar bastante
  • Devido à grande variedade de fundos é difícil a comparação entre as diversas estratégias
  • Nem sempre é possível ter acesso à carteira completa do fundo de investimento
  • Quantidade de dinheiro disponível no fundo fruto da dinâmica de subscrições e resgate pode provocar menor retorno.

 

Devido à imensa oferta de fundos de investimento, às vezes o mais difícil é selecionar o melhor fundo de investimento da categoria ou aqueles que são mais adequados à nossa estratégia. Devemos olhar para o rácio de custos do fundo (total expense ratio) e a medidas de performance como o rácio de Sharpe (nível de retorno ajustado ao risco), para além do alfa (excesso de retorno face a um benchmark) ou beta (sensibilidade do fundo face ao risco de mercado).

Os fundos de investimento estão associados à gestão ativa, ou seja, ao objetivo do gestor em bater um determinado índice ou benchmark. A verdade é que as políticas de investimento são tão diferentes que se torna difícil comparar fundos mesmo dentro da mesma categoria.

Em termos qualitativos, destacamos o volume sob gestão, a quantidade de liquidez disponível, a rotação dos ativos em carteira (mais rotação significa mais custos de transação e, possivelmente, pior desempenho) e estabilidade da equipa de gestão.

Na Future Proof, através dos serviços de receção e transmissão de ordens e de consultoria para investimento, podemos fazer a análise e a seleção desses instrumentos. Utilizamos ferramentas próprias e as disponíveis na secção de fundos de investimento do Banco Invest, onde pode encontrar um conjunto de indicadores, informações e documentos essenciais referentes ao fundo de investimento que está a analisar.

 

Apesar da sua longevidade, os fundos de investimento continuam a ser um instrumento muito apetecível e de enorme interesse para qualquer investidor. Gozam de enorme flexibilidade, proporcionando a qualquer investidor construir uma carteira totalmente à sua medida e tendo em consideração a especificidade dos objetivos de retorno e risco e respetivas preferências.

Vítor Ribeiro, CFA
Vítor Ribeiro, CFA

Vítor é um CFA® Charterholder, empreendedor, melómano e com um sonho de construir um verdadeiro ecossistema de investimento e planeamento financeiro ao serviço das famílias e organizações.

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