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O custo emocional de investir

2020.12.22 Luis Silva

Algo que uma boa quantidade de investidores, quando começam a investir, não se apercebem é o custo emocional do investimento.

Aquilo que chamo “Custo emocional de investimento” é a emoção que advém do desconhecimento sobre o futuro, o risco. O risco é o que o mercado recompensa. Se não houvesse risco não haveria um retorno associado ao investimento no mercado de capitais.

Em nenhum momento sentimos melhor esse risco do que quando estamos a perder dinheiro. Após uma queda do mercado. Quando nos questionamos quando a queda vai acabar, SE vai acabar ou se tivemos o pior timing de sempre e investimos no topo e que, entretanto, vão passar anos até revermos o nosso capital, quanto mais ganhar.

Claro que nunca sabemos o futuro. Muito menos no curto prazo, e a longo prazo temos apenas espectativas, nunca garantias, de retornos. Mas para chegar ao longo prazo vamos, com certeza, passar por períodos bastante complicados, e quedas não só profundas, como longas no tempo.

Aliás, se considerarmos como “correcção” períodos em que o S&P está mais de 10% abaixo de máximos, nos últimos 50 anos o S&P 500 passou 42% do tempo em "correcção".

 

 

Como podemos ver pelo sombreado há de facto períodos de vários anos em que o S&P está abaixo dos máximos e demora a recuperar.

Também o podemos ver neste quadro:

Sendo que as duas maiores correcções (em profundidade) vieram uma a seguir à outra e ambas demoraram vários anos.

Este é o verdadeiro preço de investir. Se quisermos obter os retornos que o mercado accionista nos dá temos de aceitar este tipo de risco. Para piorar a situação o S&P 500 é dos índices mais bem-sucedidos do Mundo. Ou seja, este é um dos melhores casos. Temos situações mais complicados em investimento no Japão ou mesmo na Europa, fazendo da diversificação geográfica algo obrigatório.

Mesmo depois de vos mostrar isto muitos investidores novatos vão pensar: “Tudo bem. Compreendo que tenho de aceitar o risco, mas o mercado accionsta recuperou sempre e o meu horizonte temporal é alargado”. Mas na verdade, não há nenhum gráfico que consiga transmitir o sentimento de estar a perder 50% do nosso investimento, como aconteceu por 3 vezes nos últimos 50 anos no S&P, duas das quais nos últimos 20 anos.

Se considerarmos como “correcção” períodos em que o S&P está mais de 10% abaixo de máximos, nos últimos 50 anos o S&P 500 passou 42% do tempo em "correcção".

Não pretendo com isto desencorajar ninguém a investir. Acredito que o investimento nos mercados de capitais, nomeadamente no accionista, é uma excelente forma de acumulação e crescimento de capital. Mas isso só acontecerá se os investidores compreenderem as “regras do jogo” e estiverem dispostos a aceitar e correr os riscos.

Os danos de não sabermos os riscos dos nossos investimentos, e uma potencial saída precoce, são por vezes irreparáveis.

O risco é o preço de admissão. Apenas invista se estiver disposto a corre-lo.

 

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Luis Silva
Luis Silva

Licenciado em Economia (2006) e pós-graduado em Finanças pela Universidade Católica do Porto (2010), apercebeu-se, mais tarde, que partilhava o mesmo entusiasmo por programação.

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