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Exemplo e alterações à Declaração de Política de Investimento

2021.10.4 Vítor Ribeiro, CFA

Nos últimos artigos, descrevemos as principais características da Declaração de Política de Investimento ou IPS. Para complementar a nossa análise e abordagem ao tema, apresentamos de seguida um exemplo simplificado deste documento.

Para o desenvolvimento deste estudo-caso, partimos dos artigos declaração de política de investimento: definição e a sua importância, objetivos de investimento, risco e retorno na IPS e preferências e restrições do investidor.

O exemplo serve apenas para fins ilustrativos e não deve ser considerado e adaptado a um caso individual e específico.

 

A DECLARAÇÃO DE POLÍTICA DE INVESTIMENTO DA FAMÍLIA DA MARIA E DO PEDRO

 

1. Âmbito e propósito

Maria e Pedro, ambos com 42 anos, têm 2 filhos de 12 e 9 anos, respetivamente. Em termos profissionais, Maria é professora universitária e escritora e Pedro trabalha numa empresa industrial.

Neste momento têm um património financeiro de 100.000€ além do apartamento onde residem, cujo valor de mercado é de, aproximadamente, 150.000€, tendo uma hipoteca atualmente no valor de 50.000€.

A família pretende incluir todo o seu património nesta declaração de política de investimento e contratar o serviço de consultoria para investimento, através da Future Proof e do Banco Invest, onde também serão realizadas as operações referentes ao investimento.

O serviço deve incluir o desenvolvimento da estratégia de investimento, o plano financeiro, a execução da estratégia definida e a monitorização dos resultados, do risco e do rebalanceamento da carteira.

A declaração de política de investimento será atualizada ou alterada, se necessário, apenas anualmente ou no caso de ocorrência de um fator inesperado que coloque em causa significativamente a estratégia definida.

 

2. Objetivos de investimento

O programa de investimento definido nesta IPS tem como objetivo o crescimento do património no longo prazo para complementar o sistema público de pensões, mantendo o nível de vida atual da família após a reforma, dentro de 15 anos. Maria e Pedro pretendem reformar-se antecipadamente para cumprirem com o sonho de viajar. Por isso, vão estabelecer uma taxa de poupança sobre o rendimento disponível de 40% ao ano. Esta poupança será adicionada ao património financeiro anualmente.

 

3. Objetivos de retorno

Tendo em consideração as despesas relativas ao nível de nível da família e a compensação em relação à inflação esperada, o retorno necessário objetivo da carteira de investimento é de 5,2% por ano.

Foi assumida uma taxa de inflação esperada de 2% por ano.

 

4. Tolerância ao risco

  • Capacidade

Maria e Pedro compreendem que a natureza do risco é a incerteza em relação ao futuro. A capacidade de poupança, o bom estado de saúde e o prazo de investimento conferem uma capacidade acima da média para tomar risco.

  • Vontade

A Maria e o Pedro são dinâmicos por natureza. Pretendem fazer crescer o património, perseguir a reforma antecipada e sentem-se confortáveis com a incerteza. Historicamente, têm investido em ações, gostam de tomar decisões e procuram informação e mais conhecimento.

Baseado na avaliação do perfil de risco da Maria e do Pedro, a Future Proof entende que uma perda absoluta em qualquer período de 12 meses de mais de 25% é intolerável. A vontade para tomar risco é, assim, acima da média.

 

5. Preferências e restrições

  • Liquidez

Para além do reforço do portefólio de longo prazo, as necessidades de liquidez mais imediatas resumem-se às despesas correntes, ao fundo de emergência e a educação.

A Maria e o Pedro pretendem manter e reforçar a reserva de emergência da família, que neste momento corresponde 6 meses de despesas correntes. Pretendem aumentar a reserva para 12 meses. Pretendem financiar todas as despesas de educação dos filhos até à universidade.

  • Horizonte temporal de investimento

À parte das necessidades de liquidez referidas acima, a Maria e o Pedro têm um horizonte de investimento de longo prazo dividido num primeiro plano até à reforma, 15 anos, e depois de se reformarem.

  • Impostos

A Maria e o Pedro estão sujeitos ao IRS em Portugal e pretendem implementar estratégias que minimizem o impacto fiscal no longo prazo.

 

6. Outras restrições, preferências e circunstâncias únicas

A componente crítica do plano financeiro da Maria e do Pedro é a capacidade de poupança face ao objetivo de atingirem a independência financeira em 15 anos que permita a reforma antecipada.

Não há qualquer limite à exposição a classes de ativos, moedas ou qualquer outro ativo. No entanto, a alocação de ativos deve ser construída e otimizada com base em instrumentos líquidos e regulados, de preferência instrumentos de investimento coletivo como ETF e fundos de investimento, com base no princípio do investidor prudente.

A estratégia de investimento a implementar será um anexo a esta IPS bem como as métricas para avaliação da performance e gestão do risco.

A carteira será rebalanceada anualmente de preferência no momento do reforço previsto de acordo com a capacidade de poupança. Na estratégia de alocação de ativos, em anexo à IPS, ficará também claro a necessidade de rebalanceamento extraordinário no caso de variações expressivas dos ativos ou em resultado de alteração significativas das expectativas em relação à economia e aos mercados que condicionem os objetivos definidos.

 

7. Alterações (após um ano)

Passado um ano após a definição da IPS da família, Maria e Pedro souberam que o filho mais novo sofria de uma incapacidade crónica e que seria necessário atualizar a IPS em conformidade. 

Este elemento novo introduzido no caso demonstra a necessidade de redefinir os objetivos de investimento, de retorno e de risco, podendo eventualmente levar a uma estratégia de alocação de ativos bem diferente da atual.

O plano financeiro de longo prazo vai manter-se, mas com as necessárias adaptações, uma alocação estratégia adequada às circunstâncias e até à criação de um objetivo específico de proteção ao filho através, por exemplo, de um património autónomo que garanta o seu futuro financeiro.

 

São apenas exemplos e cada caso é um caso. Mas o trabalho de consultoria para investimento é determinante nestes momentos. 

 

Vítor Ribeiro, CFA
Vítor Ribeiro, CFA

Vítor é um CFA® Charterholder, empreendedor, melómano e com um sonho de construir um verdadeiro ecossistema de investimento e planeamento financeiro ao serviço das famílias e organizações.

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