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Como investir em ETF's?

2021.12.21 Vítor Ribeiro, CFA

Cada vez mais comuns da carteira de investimento, os ETF assumem-se como um caso de sucesso da indústria financeira e um símbolo de inovação e diversidade das últimas décadas.

ETF é uma sigla para a designação em inglês de “Exchange traded fund”. Numa tradução livre são fundos cotados em bolsa, ou seja, um ETF é um conjunto de títulos que se transaciona em bolsa tal e qual as ações.

Os ETF são um tipo de produto financeiro com o objetivo de seguir o desempenho de um índice de referência, composto por ativos tão diferentes como ações, obrigações, matérias-primas, taxas de câmbio ou uma combinação de diversos tipos de investimento. Também podem ser montados para seguir uma determinada estratégia, tendência, indústria, setor ou região, tendo sempre como base um índice de referência.

Os ETF podem negociar com um desconto ou um prémio face ao NAV (valor do ativo líquido ou, em inglês, net asset value). Esta situação está relacionada com a liquidez do mercado e com a capacidade de o participante autorizado gerir a criação e resgates de unidades do ETF a um valor mais próximo possível do valor de mercado dos ativos do ETF (NAV).

Um participante autorizado (ou AP, authorized participant) é uma entidade que tem o direito de criar e resgatar ações de um ETF. É uma entidade muito importante na liquidez de um ETF, ou seja, na sua capacidade de ser transacionado pelos investidores de uma forma fluída e segura num mercado.

Esta importância é ainda mais notada quando verificamos que nos últimos anos o dinheiro investido em ETF cresceu de forma significativa. Segundo a Statista, em 2020, os ativos geridos através de ETF atingiam os 7,7 biliões de dólares, existindo 7602 ETF registados e ativos.

 

A diversidade de ETF disponíveis no mercado permite aos investidores construir a estratégia mais adequada à sua situação, como por exemplo: distribuição de rendimento, acumulação, especulação, diversificação do portefólio.

A tendência é de tal forma marcada que este ano, num relatório divulgado pelo Bank of America (BofA), dos 900 mil milhões de dólares investidos em instrumentos de ações, 785 mil milhões foram investidos através de ETF e apenas o restante através de fundos de investimento. 

Aliás, o valor investido através de ETF e fundos de investimento em ações superou o valor investido no total dos últimos 19 anos, conforme gráfico a seguir do BofA.

Este influxo colossal de dinheiro para ETF tem levantado algumas questões em torno da distorção do mercado que uma concentração desta natureza pode trazer, por exemplo, à descoberta do preço de um ativo. Na verdade, dado que ETF tem na sua natureza seguir um índice, significa que terá de adquirir todos os títulos que compõem esse índice, sem analisar propriamente o seu valor intrínseco. Isto significa disrupções tanto no processo de avaliação de ativos como no próprio processo de gestão das empresas.

 

Tipos de ETF

Os ETF são entendidos como um instrumento não complexo, como já referimos neste artigo sobre produtos financeiros onde investir dinheiro. Contudo, nas diversas tipologias de ETF existentes, podemos ter ETF considerados produtos financeiros complexos. Por isso, convém fazer a distinção entre os vários tipos de ETF que podemos encontrar.

Tipologia de ETF por classes de ativo:

  • ETF de ações – neste caso o objetivo é replicar um índice de uma região, setor, indústria, tendência, estratégia. Compreende um cabaz de ações desse índice que pretende replicar;
  • ETF de obrigações – são ETF utilizados para os investidores ganharem exposição a obrigações de uma forma diversificada e também para obterem rendimento periódico, como seja este o objetivo. Os ETF podem incluir obrigações de empresas, governos, estados e regiões;
  • ETF de commodities ou matérias-primas – aqui o interesse é a replicação de uma matéria-prima ou um cabaz de matérias-primas como produtos agrícolas, metais, ouro ou petróleo. 
  • ETF de taxas de câmbio – estes veículos de investimento servem para seguir pares cambiais, ou seja, moeda doméstica com moedas estrangeiras. Entretanto também já surgiu um ETF para bitcoins.

Existem algumas variações aos ETF, como os ETC, ETN ou os ETP. Estas variações podem conter outros riscos para além dos normais associados aos ETF, como por exemplo o recurso a dívida e consequente risco de crédito, mas também algumas vantagens. Para mais informação consultem este artigo do Luís Silva sobre contango, mas que explora estes vários conceitos

Também é relevante notar a possibilidade de termos ETF de replicação física e ETF de replicação sintética, através de instrumentos derivados como swaps ou futuros.

Os ETF de replicação física investem mesmo no ativo, seja ações, obrigações ou commodities, enquanto que os sintéticos procuram seguir o desempenho do índice subjacente através de instrumentos derivados. Não investem diretamente nos títulos.

Os ETF sintéticos têm a vantagem de serem mais baratos e até de conseguirem seguir de forma mais perfeita o índice. Isto deve-se ao facto de os ETF de replicação física nem sempre conseguirem investir nos títulos devido, por exemplo, à fraca liquidez dos mesmos.

Uma última nota para os ETF físicos que podem também fazer empréstimo de títulos. É uma forma de gerar rendimento adicional.

Tendo em consideração a legislação europeia em matéria de investimento, podemos dividir os ETF em:

  • ETF harmonizados, fundos regulados por diretivas europeias e designados de “ETF UCITS”;
  • ETF não harmonizados, fundos não regulados.

Em relação à estratégia de investimento, tem havido uma grande evolução. Se no início os ETF eram vistos como um braço importante da gestão passiva, hoje em dia, os ETF geridos de forma ativa já representam praticamente metade do investimento total em ETF de ações.

Os ETF passivos são normalmente mais baratos do que os ETF ativos. Nos ETF ativos, os gestores assumem um papel mais importante na gestão do fundo, levando à criação de muitos índices em diferentes setores, indústrias e estratégias, aumentando a oferta de ETF.

Também relacionado com estratégia de investimento podemos encontrar ETF índice e ETF de dividendos. Os ETF índices servem a estratégia de investir num índice de mercado, possibilitando ao investidor assumir posições longas ou curtas a partir investimentos muito baixos (a partir de uma ação do ETF).

Ainda quanto à estratégia podemos ter ETF alavancados e ETF inversos.

Os ETF alavancados permitem ao investidor ganhar exposição a um índice de forma alavancada. Por exemplo, obter exposição a dobrar ao índice S&P500 significa ficar exposto ao dobro das variações do índice, potenciando os ganhos, mas também as perdas. No limite, em termos teóricos, se o índice cair 50%, o investidor perderia todo o capital investido.

Em relação aos ETF inversos (também conhecidos como inverse ou short ETF), o investidor ganha com a queda dos ativos ou índices subjacentes. Esta exposição inversa é possível através do recurso a derivados financeiros e/ou contratos de empréstimos de títulos.

Alem de assumir uma posição curta, também é possível alavancar essa posição, através dos ETF inversos alavancados.

 

Riscos associados aos ETF

Como qualquer investimento, existem riscos associados ao investimento em ETF. Os riscos acabam por ser transversais a todos os investimentos financeiros, mas também há alguns específicos relacionados com ETF. Destacamos os seguintes riscos:

  • Risco de mercado – relacionado com a cotação dos títulos subjacentes ao ETF, sujeitos a volatilidade e às condições favoráveis ou desfavoráveis do mercado;
  • Risco de liquidez – em situações de fraca liquidez no mercado, o investidor pode ter de vender o ETF a um preço inferior ao real valor dos ativos que compõe o ETF;
  • Risco de capital – não existe qualquer garantia de capital no investimento em ETF.  Investidor está sujeito às variações do preço dos ativos, para além dos custos associados às transações de ETF;
  • Risco de taxa de juro – risco relacionado com a política monetária e fiscal. Os movimentos de taxa de juro pode ter um impacto adverso no preço do ETF. Este risco é especialmente sentido nos ETF de obrigações e nos ETN;
  • Risco de crédito – trata-se do risco de incumprimento dos ativos subjacentes dos ETF ou das partes relacionadas com o ETF. Por exemplo, o caso dos ETF de obrigações e os ETN;
  • Risco cambial – as variações cambiais podem ser adversas para o investidor. Estas variações podem ser sentidas nos ativos subjacentes, mas também na própria moeda do fundo. Há ETF com proteção cambial, mas estes suportam um custo acrescido para essa proteção; 
  • Risco contraparte – por exemplo no caso de ETF que investem através contratos derivados como swaps;
  • Risco operacional ou de negociação – este risco está associado a erros humanos, tecnológicos ou fraudes no processo de transação e liquidação da compra e venda de ETF.

Um risco especialmente associado a ETF é o risco de o ETF não seguir da melhor forma o índice subjacente, o risco de desvio de indexação ou tracking error. Mesmo nos ETF geridos ativamente, a expectativa do investidor é que este erro/desvio seja reduzido.

O impacto no mercado do crescente investimento em ETF estão ainda por esclarecer. A verdade é que é mais fácil investir e desinvestir no mercado utilizando ETF. Quer isto dizer que largas quantias de dinheiro podem ser investidas e desinvestidas do mercado de forma rápida, podendo provocar disrupções e variações significativas.

Por outro lado, verificamos que na crise pandémica de março de 2020, os ETF desempenharam um papel importante na determinação do preço de obrigações, num momento de fraca liquidez e de grande ansiedade e medo no mercado.

 

Principais vantagens e desvantagens dos ETF

Algumas das principais vantagens dos ETF são:

  • Liquidez e flexibilidade na transação, com negociação intradiária.
  • Possibilidade de implementar diferentes estratégias, de acordo com os objetivos e preferências, 
  • Sendo o objetivo seguir um índice de mercado, o ETF normalmente apresenta um nível de desvio (tracking error) muito baixo, face ao respetivo índice, ou seja, os retornos e o risco estão alinhados com o índice evidenciando uma correlação normalmente muito elevada.
  • Instrumentos em média mais baratos do que fundos de investimento e até mais baratos do que comprar um determinado conjunto de ações de diferentes empresas.
  • Diversidade da oferta de ETF, em diferentes ativos, setores, regiões e tendências, o que permite gerir o risco através da diversificação.

Quanto às desvantagens, podemos referir:

  • A impossibilidade de resgatar unidades de participação do ETF. O investidor tem de recorrer a um intermediário financeiro e utilizar o mercado secundário para comprar ou vender os títulos. 
  • Os ETF geridos de forma ativa apresentam custos de gestão mais elevados.
  • Dificuldades de liquidez em alguns mercados.
  • Alguns dos benchmarks e índices são criados para serem replicados por ETF, muitas vezes focados numa só indústria, setor ou tendência, limitando os efeitos da diversificação.

Para investir em ETF, além da importância de definir a sua política de investimento e plano financeiro, é necessário abrir uma conta num intermediário financeiro que disponibilize a negociação deste tipo de instrumentos. Procure um intermediário com oferta alargada, numa arquitetura aberta, verifique e compare os custos de transação e as condições de negociação e política de execuções de ordens.

A Future Proof, através da parceria de agente vinculado com o Banco Invest, disponibiliza um conjunto muito significativo de ETF de várias casas de investimento, num ambiente de negociação seguro e com custos alinhados com o mercado.

Os ETF são uma forma atrativa de investimento, tanto no curto como no longo prazo. Tudo depende da estratégia, perfil e objetivos de investimento.

Vítor Ribeiro, CFA
Vítor Ribeiro, CFA

Vítor é um CFA® Charterholder, empreendedor, melómano e com um sonho de construir um verdadeiro ecossistema de investimento e planeamento financeiro ao serviço das famílias e organizações.

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