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A importância do tempo: pare de tentar!

2022.9.9 Vítor Ribeiro, CFA

Uma das nossas principais riquezas é o tempo. Já pensou a sério nisso?

Certamente já deu conta que repetimos muitas vezes “não tenho tempo para nada!”. A resposta do outro lado é quase sempre a mesma: bom sinal. Será? Trabalhar mais tempo significa mais rendimento? Não necessariamente. Contudo, no processo de investimento, se investirmos na carteira certa e de acordo com o nosso plano, investir durante mais tempo significa mesmo mais rendimento. 

O ser humano tem uma capacidade de adaptação incrível. De tal forma que, como por exemplo no meu caso, há 20 anos não imaginaria que agora estaria a dizer que não tenho tempo, mas faço muitas mais coisas do que fazia naquela altura.

O que se passou com o tempo? Esticou? Atrevo-me a dizer que o tempo é um fator deflacionário. Com o tempo ganhamos experiência, conhecimento, disciplina, maturidade, o que nos faz fazer muito mais no mesmo período tempo. 

Há também a questão da produtividade, que muito se tem falado. Trabalhamos muitas horas e produzimos menos do que devíamos.

E esta conversa leva-nos à inflação: Acham que poderíamos viver num sistema deflacionário em vez de num sistema inflacionário onde a moeda está constantemente a ser desvalorizada e onde a solução para tudo parece ser, mais dinheiro?

Vivemos e antevemos tempos conturbados e nada como lermos os conselhos de quem sabe, como António Horta Osório neste artigo: prudência. Recomendou ainda poupar mais e reduzir a dívida.

 

Life is very short and there’s no time

Parece que temos uma economia, ou sistema económico, que se desinteressou completamente das pessoas. Utilizamos métricas um pouco anacrónicas e irrelevantes como o PIB (como referiu Thomas Sowell em Basic Economics), olhamos para a taxa de desemprego como um indicador da saúde da economia e não da sociedade e ainda o trabalho penoso, que continua a alastrar. Temos medo daquilo que traz a inovação tecnológica e possível destruição de milhares ou milhões de empregos. 

Talvez seja este o momento para nos virarmos para o verdadeiro ativo desta equação: o tempo. Não acham que a economia como disciplina social, não se deveria preocupar com o tempo, em vez da maximização da produção de bens e serviços, sabendo que vivemos num mundo de recursos limitados e necessidades ilimitadas e autoalimentadas por uma máquina de produção de incentivos e dinheiro? A economia deveria estudar de que forma poderemos maximizar o tempo, sabendo que vivemos num sistema onde esse recurso é limitado.

Em 1930, o economista John Maynard Keynes escreveu um paper, Economic Possibilities for our Grandchildren, no qual previa que no futuro a evolução tecnológica seria tal que iriamos trabalhar menos, não ter preocupações com dinheiro e ter mais tempo O tempo é o mesmo, o que muda é a utilização que fazemos dele. 

É aqui que Warren buffett brilha mais uma vez. Buffett aliou-se ao tempo. Teve sempre o tempo do lado dele. Não se importou com a instabilidade momentânea, não teve pressa nem procurou o lucro fácil e não se distraiu com as deambulações diárias dos mercados. Aproveitou oportunidades onde outros viram problemas. 

 

Investing in yourself

kendrick Lamar e Ray Dalio também se juntaram para uma mensagem de investimento importante. Destacam a importância do “slow money” que, nas palavras de Dalio, significa aproveitar os benefícios dos efeitos de capitalização ao longo do tempo, que temos destacado em vários artigos como este. O próprio dinheiro, faz dinheiro. O conhecimento também. Invistam em conhecimento e invistam com tempo!

Temos falado muito em literacia. Ainda bem. Muitos cursos, muitos artigos, muitos podcasts. É bom! Mas ainda seria melhor se as pessoas aproveitassem mesmo para colocar em prática um plano, por mais simples que este seja. Mas um plano que tenha sempre 3 fatores em harmonia: tempo, capacidade de poupança e otimismo. E seguir o plano. “Stay the course”, como bem referiu John Bogle n’O Pequeno Livro do Investimento (The Little Book of Comnon Sense Investing).

Como refere Morgan Housel, “gastar dinheiro para mostrar às pessoas quanto dinheiro temos é a maneira mais rápida de termos menos dinheiro.

Começar a poupar com 1€ por dia é possível. Começamos devagar e vamos aumentando a poupança sempre que possível. Como? 

  • com o bónus anual;
  • com a devolução do IRS;
  • com o subsídio de Natal ou de Férias;
  • com o aumento salarial;
  • com uma diminuição no consumo. 

O dinheiro não cresce nas árvores, mas se investirmos com paciência tal como quem planta árvores, vamos, literalmente, colher frutos no futuro. E quando falamos em investir, tanto podemos fazê-lo no mercado financeiro como num terreno onde plantamos árvores ou até em imóveis, arte ou outro artigo colecionável.

Mas as dúvidas continuam. Será este o melhor momento para investir? “Time in the market” - investir de forma consistente e continuada ao longo do tempo - é melhor do que market timing – tomar decisões com base em previsões - e com a vantagem de exigir muito menos esforço mental. Vejam este vídeo, you suck at investing, no qual a mensagem é clara: pare de tentar! Peter Lynch, um dos maiores investidores de sempre, defendia a consistência. John Bogle, no seu livro já citado, também. Não precisamos de grandes ideias de investimento. Investir com tempo é melhor do que tentar encontrar o melhor timing, confiando na sorte ou no azar e no custo dos erros emocionais.

 

Não é preciso bater o mercado

Também não precisa de tentar investir como os profissionais, pois a maior parte deles tem uma performance pior do que o mercado.

Não precisa de tentar. Reforço a mensagem acima: pare de tentar! Pare de tentar e invista. Invista de forma consistente, diversificada e no longo prazo.

Sabemos que investir assim é contraintuitivo. As notícias, os analistas, os gestores, os amigos, todos nos avisam que investir é estar atento a cada notícia, a cada movimento do mercado, às dicas de investimento, a procurar a agulha no palheiro. E para isto não temos tempo. Ninguém tem. Por isso, desistimos e mantemos o dinheiro à ordem, a ser corroído pela inflação, a ser transferido de forma silenciosa para impostos e a diminuir drasticamente o nosso poder de compra.

Se ainda não começou a poupar, comece agora. Se já poupa, aumente o valor da poupança. Se já poupou o suficiente, continue a investir tendo em atenção os seus objetivos menos ambiciosos.

Investir é simples, mas não é fácil.

 

Dicas para sobreviver ao tempo:

Vítor Ribeiro, CFA
Vítor Ribeiro, CFA

Vítor é um CFA® Charterholder, empreendedor, melómano e com um sonho de construir um verdadeiro ecossistema de investimento e planeamento financeiro ao serviço das famílias e organizações.

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